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Eles surgiram do nada após a decisão pareciam ser tentações a desistir.
Minha primeira providência foi criar coragem e pedir demissão, tarefa nem um pouco fácil quando você trabalha numa empresa de amigos seus e tem um cargo de confiança. Adiei a idéia e o ímpeto por diversas vezes. Já não conseguia nem mais dormir direito com a angústia de ter que deixá-los sem ao menos uma explicação plausível. O que iria dizer: "Olha, eu fiquei maluco. Estou a fim de viajar pelo mundo, perambulando por aí como se tivesse 18 anos!" - não. "Preciso de um tempinho na minha vida por isso, me dêem uns 90 dias de férias que, quando voltar, estarei mais focado!" - afff, que horror!
Não sei ao certo por onde comecei, mas preferi falar primeiramente com o pai de meus amigos, Sr. Boris, esperando uma reação desconcertada, algo como uma reprimenda grave. Não foi o que houve; Sr. Boris olhou longamente para mim e disse:
- Quando eu era jovem também sonhei em fazer isso. Contudo, minha situação na época não me permitia. Hoje posso viajar pelo mundo inteiro, mas definitivamente não é a mesma coisa. Vai, vai viver seu sonho. Apenas peço que você se explique com os meninos (meus amigos), pois eles não vão entender da mesma forma. Talvez achem que erraram em algum ponto ou que você não está sendo sincero pelo motivo que quer sair.
Aquelas palavras me encheram de confiança. Uma barreira vencida. A segunda não foi tão fácil e como previsto muito custou para Mario e Leonardo entenderem o que me movia. Em suas cabeças não havia um motivo, apenas um sonho. Não havia lógica, apenas um impulso. Eu sabia que não era somente isso!
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